3A TEMPORADA - CAPITULO XI
A primeira coisa que fizemos quando ele voltou pra Alemanha, foi marcar um facetime para, mais uma vez, colocar as contas no papel. A ideia de eu mudar pra lá 3 meses antes, significava que as despesas lá aumentariam, e sobraria menos dinheiro para pagar as contas do casamento. Mas quando a gente quer, arruma um jeito, né? Revisamos as contas ainda pendentes do casamento, cortamos alguns extras aqui e ali e, deu.
- Vou comprar minha passagem de ida pro Brasil pro Natal, e duas de volta em Janeiro. Nem acredito. - ele declarou.
- Nem eu - eu concordei.
E mais uma vez, eu me via num misto de sentimentos. Ao mesmo passo que foi um alívio determinar o fim da distância diminuindo o tempo de espera pela metade, aquilo também significava que eu tinha pouco mais de 3 meses pra me despedir de tudo. Da família, dos amigos, da minha casa, do meu cachorro, da minha vida. Eu engolia em seco repetidas vezes nos dias que se seguiram. E nesses momentos eu tenho bastante a sensação de que fico repetindo internamente pra mim mesma: “uau grande mudança né, mas não pensa não! Finge costume, fé em Deus vai dar tudo certo!”. Chacoalha a cabeça e segue pra dar conta de resolver os detalhes. Mas o duelo se repete constantemente. “Mulher, vai ser tudo novo, idioma difícil, parece loucura eu sei, mas oh: finge costume, vida adulta é isso aí, segue o baile”. Respira fundo. “Colega, engole o choro, repete comigo: vai-dar-certo”. E segue em frente.
Não são raros os momentos que me pego refletindo se sou apenas uma maluca que fala sozinha mentalmente (às vezes em voz alta também, devo me preocupar?), ou se a vida adulta é um ciclo vicioso de “finge costume” e “engole o choro” até que a gente se acostume de verdade. Ou não se acostuma nunca. Por um lado, eu tinha acabado de completar 26 anos e o único bem material próprio que eu tinha era meu celta semi-novo. Uma mulher cheia de histórias, claro (afinal somos todos cheios de história, em qualquer fase da vida), mas também uma menina lotada de medos e inseguranças. Quem foi que deixou que nos ensinassem que as pessoas de 25+ já eram adultos com a vida toda resolvida? Talvez o certo seria dizer que a vida toda vai ser um mix de coisas resolvidas e coisas bagunçadas. Uma briga diária entre inseguranças e decisões. Medos e coragens. Coragem. Eu nunca fui uma pessoa do tipo corajosa. Não pra montanha-russa, pelo menos. Aventureira e desapegada, não eram adjetivos que me desrevessem. Eu sempre mantive um relacionamento sério e íntimo com a rotina, a estabilidade, relações consistentes (pessoais e profissionais). Me jogar no escuro? Se eu já não soubesse o final dessa história, talvez nem eu acreditaria.
No fim de setembro então foi declarada aberta os últimos meses de despedidas. Virou um malabarismo de agenda pra comportar todos os momentos que eu queria estar com amigos e família (ainda economizando qualquer centavo que fosse possível), com aulas de alemão e trabalho numa agência de publicidade, com burocracias pra mudar de país, com a correria interminável do casamento. E como se tivesse tempo sobrando, eu comecei a fazer freela de manicure pras meninas da agência na hora do almoço e a vender um kit pesto pra ajudar a pagar as contas. De algum jeito, eu dei conta. Participei do protesto das mulheres contra o Bozo quando ainda existia muita esperança de que ele não fosse eleito. Comemorei alguns aniversários de amigos e família. Alguns casamentos. Fui na festa de 45 anos da firma. Vi a Julie na apresentação de ballet. Levei o Naruto no Mc todas as vezes que ele pediu. Fiz um check-up médico geral e muitos (muitos) exames. Atualizei todos os meus documentos pro meu novo @ oficial: Rayssa Olivão Rocamora. Vendi meu carro. Cancelei assinaturas. Fiz prova do curso de Alemão (e passei, ufa). Comi a melhor pizza da cidade com o Daddy. Fiz muita correria de casamento com a Arco-íris. E com a Runi. Me despedi da Bride que mudou pra Chicago. Troquei figurinhas de casamento com a Deli que também estava noiva. Passei domingos de preguiça com aperol na casa da B. Comi muito arroz com carne moída e salada nos Rocasogros. Fui pro Vaticano brasileiro. Jantei quase toda quarta-feira com Lulu&Otávio assistindo o fut do dia. Vi muito filme no sofá de casa com Minoine. Amassei muito o Ferinha. Fiz uma lista do que faltava fazer numa folha A3 e faltou espaço. Chorei na eleição de 28 de outubro. Comecei a tomar floral pra ansiedade.
Faltando quase 6 meses pro Rocasório então, decidi que era a hora de buscar o look perfeito. Eu escolhi não fazer isso muito antes porque costumo ser indecisa, e tinha medo de acabar “enjoando” do modelo escolhido. Eu sabia que não queria um vestido tipo “bolo” nem com renda de florzinha, e que ele tinha que ter um decote nas costas. Mas nem com mais de 800 referências no meu pinterest, eu não sabia dizer “esse é meu vestido perfeito”. Então, eu sinceramente não sabia o que esperar daquela busca. Marquei uma loja pra ir num sábado e outra pra ir no sábado seguinte pra começar. Em Campinas mesmo. Depois, se a busca se revelasse mais difícil do que eu gostaria, eu procuraria outras lojas. Fomos eu, Runi, Arco-íris, Rocasogra e Bride para a primeira parada: Ateliê Oui! Onde fui muuuuuito bem recebida e já me ganharam ali, no atendimento impecável. Pra completar, eu precisei responder um questionário, do que eu gostava e do que não gostava e, com base nisso, elas selecionaram alguns modelos pra eu experimentar. Ah, falei minha verba também, que era algo que eu não conseguiria negociar ainda mais no cenário atual. Mas eu não me sentia ansiosa porque tinha certeza de que aquela seria apenas uma primeira rodada até achar o escolhido, afinal, eu assisti a muitos episódios de “Say Yes to the Dress!”. Vesti o primeiro modelo. PAH. Me olhei no espelho sem a menor capacidade de dizer qualquer coisa. Minhas acompanhantes estavam todas chorando.
- É esse. - consegui verbalizar enquanto todas elas concordavam de forma unânime. Além de ter o decote nas costas que eu queria, uma renda geométrica e ter um tom de nude que o tirava do modelo clássico, ele estava praticamente do meu tamanho. Um ajuste na alça e eu já podia usar. Parecia mentira.
- Não gente, pera. Vamos ver outros. Enxuguem as lágrimas! - declarei e parti para as próximas opções.
Experimentei mais 6 modelos, que não chegaram aos pés do primeiro nem fez ninguém chorar. “Essa merda deve ser o dobro da minha verba certeza”- pensei. Mas era só R$1.000,00 a mais. Mas R$1.000,00 pra mim naquele época significava Buffet pra quase cinco convidados. Ainda, quando a vendedora fez o famoso terrorismo de “não posso garantir que ele vai estar aqui semana que vem” eu quase assinei o contrato, mas resisti. Eu não podia acreditar que ia fechar no PRIMEIRO vestido de noiva que já tinha experimentado na vida. E insisti. No final de semana seguinte, fomos eu, Runi, Arco-íris, Rocasogra e Greta na segunda loja, onde experimentei 10 modelos diferentes. Nenhum fez nem cosquinha nos olhos. Mas eram todos muito mais adequados à minha verba disponível. Liguei pro Príncipe.
- Não é possível o PRIMEIRO modelo???
- Tô te falando. É simplesmente perfeito.
- Caraca. Ué tá escolhido então.
- É fora da nossa verba...
- Mas uma das coisas mais importantes desse dia. A gente dá um jeito, é o seu vestido!
- Vou ligar lá e tentar um desconto, se rolar, eu fecho.
E liguei. Consegui reduzir em R$500,00 mas não mais que isso.
- Você merece.- ele respondeu.
E eu tinha o look perfeito pro #rocasório. Era quase como uma mensagem do universo dizendo que eu poderia investir minha energia em aproveitar meus últimos meses de Brasil, que o resto se encaixaria. Aquele papo que eu sempre falo, sabe? Quando é pra ser e tals. Eu falo!!!
E naquela época, acho que o Príncipe e eu invertemos um pouco de papel no roteiro do relacionamento à distância. Eu no Brasil é que vivia um turbilhão de coisas e novidades, e ele seguia com a rotininha dele de trabalho e morar sozinho, com umas viagens a trabalho pelo mundo (e preparando algumas surpresas que eu nem imaginava), mas longe de tudo. Mas àquela altura, a gente tinha aprendido a lidar com aquele caos. E eu amava deitar pra dormir pensando na parceria que a gente tinha construído juntos. Um entendendo a rotina atual do outro. Com saudades, mas sem cobrança, sem jogar peso e culpa um no outro. A gente tinha alinhado direitinho um objetivo comum lá na frente, e apesar do stress eventual (que faz parte), estávamos nos saindo muito bem na tarefa de buscar aquele sonho. O fato da despedida estar se aproximando mais rápido do que o esperado, mudava a perspectiva e o peso das coisas. Eu não me estressava tanto no trabalho, por exemplo. E esse movimento me trouxe algo bem importante. Eu nunca fui do tipo “amiga de todos”. Essa pessoa sempre foi o Príncipe. O social, a pessoa que sabe puxar assunto, e tá sempre disposta a conhecer gente nova. Eu não. Eu sempre gostei dos meus poucos e bons amigos e pra mim tava bom. Principalmente quando se tratava de ambiente profissional. Meu lema era “vim aqui pra trabalhar, não fazer amigos”. Mesmo porque, sempre dava umas coisas erradas em misturar os dois, né? Eu preferia evitar.
Mas, nessa época, eu era uma pessoa mais leve profissionalmente falando. Não era mais tão rígida com cada detalhe de processo a postura. E foi nesse momento que eu me permiti entrar para um grupo que, num outro cenário alguns anos mais cedo, talvez eu nunca teria feito parte. Era uma junção de pessoas bem diferentes umas das outras, mas que na hora que sentava na mesa do bar, a conexão sintonizava de um jeito surreal. Greta era a líder do grupo. A gente já era bem próximo àquela altura, mas nosso relacionamento também começou meio turbulento onde ele achou que eu era uma grossa arrogante, e na verdade era tudo um mal entendido. Depois tinha a Tamara, que já era minha maquiadora oficial dos eventos daquele ano e apesar de algumas farpas trocadas no dia a dia, tinha muita coisa em comum comigo. A Marilda me intrigava desde o dia que entrou pro meu time na Agência. Falava atropelado e muitas vezes sem nexo, mas sempre terminava num sorriso largo. Completamente louca, de um jeito difícil de não se apaixonar. A Chicão me dava um pouco nos nervos, de tão fora da realidade que vivia. Às vezes até a cabeça que tava grudada, ela esquecia. Mas o coração genuíno não, esse tava sempre com ela. E, por fim, a Cheila, que na verdade já dividia estrada profissional comigo há 5 anos, e já colecionávamos juntas muitas festas da firma, aniversários e o casamento dela na Praia em 2016. Eu conhecia há muito tempo a fama dela de não ter botão de desliga.
E num sábado à noite que eu quase deixei de ir de última hora, as Cidas nasceram. Num jantar colaborativo onde Tamara levou patê de queijos finos, eu levei macarrão com molho pesto e a Chicão levou Pingo D’ouro, a gente se apaixonou entoando o hino oficial do Brasil, Evidências. E além de ser um grupo de pessoas diferentes que juntas davam liga, era também um grupo que descolava dos outros que eu tinha. Enquanto todos os outros costumavam ser mais calmos e menos baladeiros, as Cidas eram ligadas no funk das 6h as 6h da manhã e eu que lutasse pra acompanhar o ritmo. Dali em diante a gente se entrelaçou cada vez mais e eu me perguntava: “Justo agora que eu tô indo embora? Faz sentido isso?”. Cheguei a me convencer que com a distância esse grupo logo se afastaria de mim, e eu não deveria sofrer. Mas no fundo eu sentia que era o Universo me dizendo mais uma vez que eu nunca estaria sozinha.
E aqueles últimos meses foram cheios de recados desse tipo. Foi na mesma época que recebemos a notícia que Topã e Jaquelinda estavam grávidos e o Príncipe teria o primeiro sobrinho do lado da família dele. E quando o fim de Dezembro chegou, o Príncipe já estava quase de malas prontas com todos os presentes comprados, e a nossa agenda de Natais estava fechada. No plural porque tinha o Natal com meus irmãos e Arco-Íris, o Natal com os Rocasogros, o Natal com meus irmãos e o Daddy, o Natal com os migos, o Natal com os avós, o Natal oficial e o almoço de natal. Fora os amigos-secretos da firma, dos amigos e das Cidas e a ação de voluntariado programados para antes da chegada dele. Tudo isso em meio à emoção dos últimos dias de Agência. Eu sabia que ia ser intenso, mas eu não fazia ideia do quanto.
Uma semana antes do meu último dia de Agência, a Queen B fez mais uma estreia de sucesso e inaugurou o novo endereço da minha loja favorita. Eu que acompanhei tudo desde que ela carregava a loja na malinha de cliente em cliente, fui ajudar como atendente extra na grande inauguração que, obviamente foi um sucesso e fez a gente trabalhar que nem doidas. Lulu e Runi tinham combinado de ir na loja prestigiar o momento e fazer umas comprinhas e, de lá, a gente iria pro shopping comprar um monte de coisinhas que faltava eu colocar na mala e comer a melhor pizza da cidade que por algum motivo elas ainda não conheciam. Como elas foram até a loja de uber, eu era a única de carro quando fomos pro Shopping. Eu estava exausta da correria daquela manhã como vendedora então estava completamente aérea quando Lulu começou a ter uma conversa nervosa no telefone.
- Como assim a gente vai ter que pagar, Otávio?!
- Eita acho que deu ruim…- A Runi comentou baixinho quando viu que eu não prestava atenção.
- E você quer que eu faça o quê? Acabei de chegar no Shopping com as meninas, eu vou ter que ir aí resolver? - ela esbravejava com o rosto inteiro vermelho, do jeitinho que ficava toda vez que ela ficava nervosa.
- O que tá acontecendo?- perguntei quando ela desligou o telefone bufando.
- Queimou as duas geladeiras do salão de festa do prédio, aquele que a gente usou semana passada pro Natal dos migos, e o Síndico tá dizendo que tenho que pagar uma multa, e o Otávio tá lá com ele e os moradores que tinham reservado o salão pra hoje e não consegue resolver.
- Putz… - me limitei a responder sem saber o que fazer.
- Você quer que a gente vá com você? - A Runi sugeriu claramente aflita, como ela também sempre ficava perto de uma Lulu nervosa.
- Não precisa, mas vou ter que ir. Vou chamar um uber.
Eu não contestei, mas porque eu queria resolver minhas coisas no shopping, não por ser uma péssima amiga. Ou era cansaço, rs.
- Imagina, a gente te leva é aquilo do lado.- A Runi declarou me dando um cutucão na costela e eu entendi o recado.
- Claro, a gente te leva e depois volta.
E fomos. Em silêncio porque uma Lulu brava é um momento tenso mesmo. Estacionei na frente do prédio de Lulu e Otávio, mas não desci.
- A gente te acompanha miga, vai que resolve logo e a gente pode voltar.- A Runi puxou mais uma vez e eu entendi que eu precisava sair do carro também. Mas juro que era o cansaço.
Quando entramos no prédio, o Otávio estava sentadinho no banco esperando, com a carinha de inocente de sempre.
- Deu ruim? - perguntei pra ele
- Vai dar a hora que a Lulu entrar lá- ele respondeu. E rimos.
Quando ela entrou a passos furiosos no salão eu ainda olhava pro celular procurando algo pra me entreter e não me meter na treta de condomínio. Mas quando entramos no salão, um amontoado de gente gritou: TCHAU, QUERIDA!!!!! E eu caí no chão chorando. Uma despedida adiantada de todo mundo da Agência (+ a Runi). Depois de viralizar muitas hashtags que me acompanharam durante os anos de relacionamento à distância, estavam todos uniformizados com camisetas que estampavam uma variedade delas como #esseéoDaddy, #oPrincipeAtacanovamente e #VoltaAquiGaroto.
As despedidas não ficavam mais fáceis, pelo contrário. A cada happy hour eu sentia o peito pesar e a garganta embargar. Era muito difícil soltar de qualquer abraço. Mas cada um deles também me dava força e coragem de seguir em frente. Como se me dessem a certeza de que eu estava no caminho certo. E assim se seguiram cada uma das despedidas daquele final de ano. Da Agência, das minhas melhores amigas, dos meus irmãos, das Cidas, dos avós, da Rocafamily, e até do calor do Brasil em dezembro (aproveitando qualquer piscina que ficasse disponível com uma brahminha gelada). Entre vários Natais (sendo um deles onde o Príncipe precisou encarnar o Papai Noel das crianças), Ano Novo no Daddy, confraternizações à parte e uma corrida maluca pra entregar todos os convites do casamento, fui deixando um pedacinho de mim em cada lugar. Enquanto o Príncipe não vi a hora de levar todo o resto com ele de volta pra Alemanha. Em Janeiro de 2019, comemoramos o aniversário dele com uma despedida oficial. Com direito a bandeira BRAxALE pra todo mundo assinar recadinhos. Nesse dia, Greta deixou mais do que um recadinho na bandeira. Me entregou uma carta pra ler antes de embarcar. Ela começava com: “Lembra de mim?”. E a linha seguinte já me fez chorar. Por isso eu acredito e confio nos encontros que o universo permite. Como se soubesse exatamente o que eu precisava escutar naquele momento, ele conseguiu me abraçar ao mesmo tempo em que me impulsionava a voar. Um trecho dizia:
“[...]Quando estiver nevando lá fora e você estiver chorando por dentro, olhe pela janela e perceba o quão grandiosa a vida foi com você. Acredite, entregue e confie. Esse é o seu lugar, esse é o seu caminho. [...] Eu sou a razão da sua partida e de todas as suas voltas. Se lembre que eu sou O AMOR.” - Greta (05.01.19)
Dali dois dias eu embarcaria com o amor da minha vida para o início do nosso maior sonho: uma vida juntos. A coragem era uma chaminha pequena dentro de mim. Pra onde eu olhava toda noite antes de dormir. Dormia agarrada com ela. Não tinha pretensão nenhuma que ela aumentasse, eu só cuidava pra ela não apagar todas as vezes em que eu achei que não seria capaz de me despedir. Mas depois de receber aquele presente tão simbólico da Greta, eu entendi. A chama da coragem não precisava ser gigante. Porque o que me mantinha em movimento era muito maior. Aquilo que é a razão, o começo, o meio e o fim de tudo. O que me movia. O propósito que sempre me incendiou: o amor.



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