2A TEMPORADA - Capítulo VII
O ano é 2015.
Apesar dos pesadelos à noite, e do cansaço acumulado dos dois últimos dia de parque, acordamos cedinho naquela sexta-feira. A ansiedade estava fora de controle por dois motivos: 1. Era o Magic Kingdom, né? O ápice da magia da Disney. A parada das 15h e o show de luzes mais famoso a noite. E 2. Ver finalmente o encontro da minha sobrinha, Julie, com a sua ídola: a Minnie. Na época, com apenas 2 aninhos, ela a chamava de “Nini”. E absolutamente TUDO no mundo dela, era Nini. Os desenhos que ela gostava, os brinquedos e as roupinhas, tudo era da Nini. E até boa parte do seu vocabulário em desenvolvimento, que vira e mexe, ela soltava “cadê Nini?”.
Chegando no parque, com um energético em uma mão, e Julie toda vestida de Nini agarrada no meu dedo mindinho na outra, não sabíamos por onde começar. Então começamos ficando paralisados quando demos de frente com a Main Street. A música, o cenário, os sorrisos, a atmosfera daquele lugar. Observando boquiabertos cada detalhe a nosso redor, entre os balões em formato de Mickey flutuando sob nossas cabeças, o ar parecia congelar e passar bem lentamente. Como se não fosse real. E de repente a realidade nos acometia de volta e tudo seguia numa velocidade feroz de informação.
Uma mistura incessante de:
“awww o simba!”
“eita dá pra fazer barba, cabelo e bigode aqui!”
“awww Peter Pan, gente!!”
“aiii meu deuuus dá pra se montar de princesa!!”
Sem contar que, mais do que nunca, por onde olhávamos, víamos as figuras do Mickey escondidas. No vitral, na calçada, no sorvete, na árvore e até no sabonete. Em 30min de Parque a bochecha já doía de tanto sorrir. Paramos pra pegar os bottoms pra usar na roupa. Eu usei um de Aniversariante com meu nome embaixo, afinal, ganhei a viagem de presente de aniversário, né? Do minuto em que fechei o alfinetinho na blusa até entrarmos no carro pra ir embora depois das 00h, todo funcionário ou personagem que me via, dizia com um sorriso largo e um High-Five no ar: “AWW HAPPIEST BIRTHDAY!!”.
Sim, surreal.
E foi lá no Magic Kingdom que eu gravei a segunda parte mais marcante da viagem: ver o Gui se encantar tanto quanto a gente pelo mundo Disney, e se apaixonar perdidamente por aquele universo. Ele não acreditava no atendimento impecável, na limpeza impecável, na atmosfera impecável. Se a gente passasse de uma atração da Branca de Neve para uma do Peter Pan, podia ouvir a transição da música temática de cada uma delas. E quando o Príncipe via eu me derreter, rir e chorar de emoção a cada novo detalhe, ele entendia um pouco mais da imensidão daquela magia. Ou quando via algum funcionário se referir ao Mickey como “Meu chefe” de forma natural, que foram muitas vezes. “Não tem o que falar desse lugar, surreal”-ele dizia. E claro, teve a atração do Buzz Lightyear pra brincarmos de guerra no espaço, que foi a vez dele de ficar maravilhado com o mundo vivo do Toy Story. Uma pena foi a minha arminha que ficou desligada e não acertei nenhum dos meus tiros. Única falha da Disney.
Passamos a manhã toda maravilhados com cada detalhe, tiramos muitas fotos com o castelo da Cinderela, e aproveitamos as atrações que tínhamos o FastPass (um “fura fila” que você agenda pelo aplicativo). Isso para poder garantir um bom lugar na frente do castelo às 15h para a parada da tarde. É como um desfile de escolas de samba, com os personagens em vários “carros alegóricos” temáticos dos filmes e desenhos passando pela avenida com diferentes músicas e coreografias, terminando em um showzinho do Mickey, a Minnie e as princesas na frente do castelo. Quando encontramos nosso lugar, almoçamos o resto do frango do KFC que tinha sobrado do dia anterior enquanto esperávamos o show começar. Eu, pessoalmente, não sabia exatamente o que esperar daquele momento. A gente vê vídeo, ouve histórias, mas nada te prepara pra viver aquilo pessoalmente. Eu não achei, por exemplo, que ia ver o Flynn Rider, o par da Rapunzel, ao vivo e a cores. E foi quase perturbador como era IDÊNTICO ao desenho. IDÊNTICO você não estão entendendo.
Mas enfim, seguindo: A parada começou com a turma do Mickey e umas músicas bem animadas pra gente dançar junto. E de repente, a avistamos. A Minnie lá em cima de um dos carros. Longe. Julie estava no colo da minha cunhada, Hermine. E ficamos pensando como atrair a atenção da Minnie para Julie. “Vou gritar muito”-pensei. É tanta coisa acontecendo, que ficamos meio desorientados de pra onde olhar, o que fazer, pra quem dar oi, uma loucura (no vídeo dá pra ver o caos). Mas quando a Minnie chegou perto, desembestamos a gritar pra que ela visse a Julie. E por uma fração de segundos, achei que ela viraria sem olhar na nossa direção. Mas de repente, ela nos viu. Apontou para Julie, mandou beijo, e levando as mãos nas próprias orelhas, faz claramente uma expressão de “AWW JULIE! QUE LINDA VOCÊ TODA VESTIDINHA IGUAL A MIM, AMEI! BEIJOS AMIGA!!”.
E enquanto a Julie mandava beijinhos com a mãozinha pititica dela, eu levei a mão na boca desabando de emoção. O Príncipe ria enquanto filmava a mim, Rudolph e Hermine caindo no choro. E claro, eu estou aqui revivendo esse momento e o quê? Chorando. Como toda santa vez em que assistimos o vídeo desse momento que ficou pra sempre guardado no coração. Dá pra sentir o mesmo arrepio e a mesma energia mágica inundando a gente. Como eu disse: surreal. Eu ainda chorei mais alguns litrinhos quando vi o carro da Bela e a Fera mais perfeito que em qualquer sonho, ou quando a Elza me desejou feliz aniversário lá de cima. E ficamos um tempão em estado de êxtase depois do show das princesas na frente do castelo, quando seus vestidos mudam de cor (DO NADA) como num passe de mágica, e elas dançam em perfeita sincronia com seus respectivos príncipes. A minha sorte é que eu olhava pro lado em lágrimas, e via o meu Príncipe real, sorrindo e dizendo: “Você merece”.
Fui obrigada a abandonar o tênis que encheu meu pé de bolha, e comprar um chinelinho pra passar o resto do dia. E acabei saindo da loja com a luvinha do Mickey também. Assim, quando os personagens e funcionários me cumprimentavam, não era mais “High-Five”, era “High-Four”, afinal, o Mickey tem 4 dedinhos na mão apenas. Fofo, vai!
Passamos a tarde explorando as demais atrações do parque, nos perdendo algumas vezes no mapa, e parecia que a atração do Piratas do Caribe estava nos seguindo e era impossível sair da Adventureland. Quando então decidimos enfim ir no tal do barquinho do Jack Sparrow, ver o próprio Johnny Depp ficar aparecendo no cenário (mentira, não era ele mesmo tá? São apenas clones). E eu só topei ir porque a Julie pôde ir também. Porque no fim do percurso tinha uma queda bem estilo aquele Splash horroroso do capítulo anterior. Mas se a Julie teve coragem, eu também tive. Não saí chorando, mas berrei bastante. No fim do dia, buscamos outro espaço perfeito para assistir ao show de luzes no castelo da Cinderela. E dessa vez, acho que não encontramos vídeos do show porque largamos o celular pra poder aproveitar cada segundo daquele momento de pura magia. É injusto que eu tente explicar em palavras. O show teve a Sininho voando da torre mais alta do castelo, gente. Como eu descrevo um dos momentos mais mágicos que já vivi? As músicas, as imagens projetadas no castelo, que o transforma desde o castelo de gelo da Elza até o mundo debaixo d’água da Ariel, e termina em um espetáculo de fogos de artifícios no céu. É óbvio que eu me desmanchei em lágrimas. “Obrigada por isso”-balbuciei algumas vezes pro Gui, que me abraçava apertado, sorrindo realizado. É engraçado como desde lá eu consigo ler nos olhos dele quando ele está verdadeiramente feliz ao me ver feliz. É uma felicidade diferente… tipo mágica. Ah, Disney, todo mundo deveria ter a chance de viver esse mundo mágico, ao menos uma vez na vida. É indescritível, e com certeza, inesquecível.
Antes de ir embora eu ainda garanti uma pelúcia do simba pra mim, dentre tantas outras coisas que a gente queria comprar mas não tinha dólalis. No nosso último dia em Orlando, fomos para o Sea World. Mas não tenho muito a relatar. Nos sentimos mal no primeiro show com os animais e o dia perdeu o encanto. Foi ótimo pra aproveitar pra esmagar a Julie o máximo que desse no último dia que tínhamos juntas. No dia seguinte, nos despedimos. Príncipe e eu, de volta pra Chicago, e meu irmão ainda tinha alguns dias com a família em Orlando, pra poder visitar o parque da Universal, por exemplo kkkk. Quando embarcamos no avião, e enfim afivelamos os cintos, senti a realidade nos abraçando e a magia dos últimos dias se esvaindo. O Príncipe me abraçou forte, me olhou nos olhos e, sem eu dizer nada, disse:
- Vai ficar tudo bem. Estamos juntos.










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