2a TEMPORADA - Capítulo IV
O ano é 2015.
02 de Setembro. Também uma quarta-feira. Foi o primeiro aniversário que comemorei ao lado dele. Eu não sabia exatamente o que esperar. Eu tinha alguma ideia, a julgar pela limusine que ele alugou pra ir me buscar no aeroporto quando eu cheguei em Chicago. E aquela tour da ponte, dos ingressos pro show do Ed Sheeran, e o pedido de namoro. E também os gestos de carinho diários, com flores, chocolates e bilhetinhos. Bom, resumindo: eu não sabia o que esperar, mas eu esperava muito! Kkk
Eu trabalharia o dia todo, por isso, o Príncipe já começou cedo a programação de niver. Me acordou com um café da manhã Express na cama. Suco, pão com manteiga, e um bolo de cartas. Foi o primeiro ano que eu entendi que ele sempre prepara o roteiro completo pro dia do meu aniversário.
- São de todos os seus amigos e familiares. Cada uma com algum momento engraçado ou gostoso de lembrar.- Ele explicou - Mas você não pode abrir tudo de uma vez, e não vale roubar! Você vai lê-las durante o dia, cada vez que eu sinalizar que pode abrir mais uma, ok?- Ele completou.
Ok, né fazer o quê?
E o plano era nos encontrar às 18h no John Hancock, um observatório da cidade, e um dos arranha-céus mais altos do mundo. Dali, o roteiro da comemoração seguia em segredo com ele. Coloquei na mochila o lookinho novo que eu tinha comprado com os meus dólalis na Forever21 especialmente para esse dia, nos despedimos, e pude abrir o primeiro envelope. Não lembro exatamente o conteúdo de cada cartinha. Estão todas guardadinhas no Brasil. Mas lembro perfeitamente como eu passei o dia todo ora rindo, ora chorando com os relatos que me foram endereçados. Entendi que o objetivo do Príncipe era esse mesmo. Que, apesar da distância me machucar muito, eu passaria o dia sentindo todas as pessoas que eu amava bem pertinho de mim. Quando a Ashley chegou em casa à tarde, aprovou meu look de niver descolado com uma calça jeans e uma sandália de salto fino ma-ta-do-ra.
Ela achou o máximo eu explicar das cartinhas, e que o resto da programação do meu niver eu não fazia ideia do que aconteceria. Ela também me deu presente e uma cartinha assinada pelo Mickey. E eu pensei no tamanho da sorte que eu tinha. Mas depois lembrei: “Não é sorte, é Deus”. E parti ao encontro do Príncipe. Como o caminho era diferente, precisei andar à pé uns 20min até o ponto de ônibus correto. E isso foi o suficiente pra entender que a sandália era, de fato, MA-TA-DO-RA. Liguei pro Guilherme desesperada.
- Seguinte, não tem a menor condição de eu continuar com essa sandália, estou à beira de amputar os pés- expliquei tentando não chorar.
Ele o quê? Riu, exato.
- Você já saiu de casa?- perguntei.
- Já- ele respondeu.
- Bom, você vai ter que voltar e pegar uma sapatilha pra trazer pra mim - expliquei calmamente.
Simplesmente não tinha como eu sobreviver mais algum ano de vida usando aquele sapato tenebroso. LINDO, porém assassino. Guilherme precisou voltar pra casa, pegar a sapatilha e retomar o caminho pra me encontrar. Mas ele ainda chegou antes de mim. Afinal, depois de descer do ônibus eu precisei andar a pé mais 15min. Que se transformaram quase em 30 porque eu precisava parar, respirar, me equilibrar, para então dar mais alguns passos. Eu andava e sentia que poderia cair de cara no chão a qualquer momento. Ou eu não levo jeito pra coisa mesmo, ou quem inventou o terrorismo da moda fez um belo trabalho.
Quando eu finalmente avistei o bendito prédio, vi o Príncipe do outro lado da avenida me esperando. Faltava atravessar a avenida (que era das bem largas) e eu precisei de muita concentração para executar essa tarefa sem precisar de horas, afinal, o sinal poderia abrir a qualquer momento. E lá estava eu, parecendo uma girafa filhote aprendendo a andar de perna de pau, e o Príncipe com o celular filmando tudo enquanto gargalhava alto, sem disfarçar. Uma peeeeeena que eu não achei esse vídeo pra mostrar pra vocês, fica pra próxima. Eu estava louca pra colocar a sapatilha, mas aproveitei o cenário pra pedir pra ele fazer umas fotos de look ainda completo, fazendo a plena e fingindo costume num salto fino 17. Mas depois da sessão de fotos ele me contou que a primeira parada da noite era tomar um drink no bar do observatório e aproveitar a vista da cidade.
Pensei “Dos lugares mais chiques da cidade, não posso descer desse salto agora, bora engolir essa dor”. E fomos.
Era parte estranho, porque como eu já contei aqui, a gente não combina muito com esses ambientes chiques. Mas era também muito empolgante fazer um programa tão diferente e, celebrar de verdade. Bebi o drink mais caro da nossa estadia em Chicago, ficamos estarrecidos com a vista da cidade, e fizemos o primeiro brinde da noite. De lá, iríamos jantar em um restaurante surpresa. E quando pisei de voltar na calçada, a primeira coisa que fiz foi colocar a sapatilha e agradecer a Deus por eu poder manter meus pés a salvo. Na segunda parada da noite, eu berrei de emoção. Ele me levou no Bubba Gump pra jantar. Quem aí já viu o clássico “Forrest Gump”, entendeu a referência. Era daqueles restaurantes que não tem a atmosfera chique, mas era caro demais pra um estagiário e uma babá frequentarem em ocasiões normais. Então foi muuuuuito legal pra comemorar.
Durante o jantar eu não cansava de agradecer a tudo o que o Príncipe fazia por mim, ou de declarar o quanto eu me sentia amada por ele, segura com ele, e como aqueles sentimentos eram inéditos pra mim.
- Você merece. - Ele seguia respondendo.
De lá, a última parada era o Navy Pier, outro ponto turístico da cidade, onde tinha a roda gigante e um churros maravilhoso. Ao chegar, eu não entendi exatamente o que faríamos lá, porque me colocar na roda gigante de novo ele não ia conseguir. Quando de repente, um show de luz no céu começou. Lindo. Com música, sincronia e tudo. Claro que não foi o Príncipe que contratou o show de fogos de artifícios exclusivamente pra mim, mas foi pra fechar com chave de ouro. Ali abraçada com ele, agradecendo em silêncio, eu me sentia completamente realizada. Nos últimos 5 meses, o Príncipe tinha feito quase um curso intensivo de Disney pra se encaixar melhor no meu mundo. Ele ouvia as músicas, assistia os filmes, e consumia diversos conteúdos desse mundo mágico que eu sempre amei mas com o qual ele não era assim tão familiarizado. O meu vício da época era o mais novo lançamento da disney: Frozen.
E de volta em casa, o plano era assistir o filme (mais uma vez) antes de dormir. Quando entrei no quarto, a cama estava coberta por pétalas de rosa e bexigas, e o projetor prontinho pra rodar o filme. Demos o play. A abertura da Disney começou. Com a música tema de Frozen, tudo aparentemente normal. Mas no lugar da primeira cena do filme, apareceu o Daddy. Depois minha mãe. Depois B, Gasperina, Runi e Muralha, Lulu e Otávio, Deli, Bride, meus irmãos, sobrinhos, Rocasogros, TODO MUNDO! Me desejando parabéns e medindo o tamanho da saudade. Se eu chorei? Sorte que eu também não achei esse vídeo. Porque essa saudade foi nível hard, no meu primeiro aniversário longe de todo mundo. Eu amei cada detalhe. Apesar de terminar a noite com o olho todinho borrado, o sorriso não desmanchou. Ufa! Hora de dormir, né?
- Agora, enfim, o meu presente, né?- ele disse me entregando um envelope. Como assim presente? E todo o tour que fizemos, o drink, o jantar e toda aquela surpresa? Abri. Tirei de dentro um papel com o desenho da minha princesa preferida, a Bela. Lá estava escrito: “Vale uma passagem pra Disney”.
CATAPLOFT!!!
Desde que tinha me mudado pra lá, eu nunca tinha de fato considerado ir pra Orlando. Isso porque eu ainda era racional demais, pé no chão demais. Nossa grana era curta e a mudança do visto ia usar a maior parte dela. Eu julgava “sonhar demais” achar que eu poderia enfim conhecer a Disney. Mas pra isso Deus colocou o Príncipe na minha vida. Pra me lembrar, desde sempre, que nenhum sonho é grande demais pra mim. Afinal, eu mereço. Eu gritei, pulei, chorei, enlouqueci! Ele respondeu o clássico:
- Você merece.
Sério, até eu desacredito às vezes. Spoiler: até hoje!!!
- Agora seu irmão quer falar com você no skype - Ele avisou.
E eu ainda em estado de êxtase, tentei controlar a energia pra sentar na frente do computador. Minha sobrinha tinha 1 ano e meio na época e apareceu na câmera pra me fazer chorar mais um pouquinho. Contei da Disney porque era impossível segurar aquela novidade, e vibramos juntos. Meu irmão e minha cunhada dividiam aquela paixão e aquele sonho comigo. Fora o fato de sermos #Potterheads de carteirinha né? Imagina conhecer o parque? Mas enfim, eles tinham preparado um parabéns diferente pra mim, e começaram a mostrar mensagens de felicidades escritas no papel. Eu tornei a chorar. Até que as últimas frases eram: “Pra completar seu presente da Disney… NÓS VAMOS COM VOCÊ!”. Ai gente, olha. Sem condições. Mais um vídeo que eu dou graças a Deus que não consegui achar pra exibir, porque eu abri o berreiro numa categoria que é difícil me alcançar. Seria um sonho? Seria!!! E como dizia o mago Walt Disney: “Se você é capaz de sonhar, é capaz de realizar”. E eu terminei meu primeiro aniversário ao lado do meu príncipe encantado sem coragem de me beliscar e acordar daquele dia perfeito. De lá pra cá, as surpresas de 02 de Setembro só me surpreenderam. Mas esses são outros capítulos.











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