2a TEMPORADA - Capítulo III

             

   O ano é 2015.

Hoje vou dar a moral da história no começo que é pra todo mundo decorar: FAÇA O BEM, FAÇA O CERTO, FAÇA SUA PARTE E APENAS CONFIE. Em Deus, no processo, no universo, o que for! Mas tenha paciência e confie: o que é seu, tá guardado. Lembram que eu já estava agoniada de não conseguir uma família pra trabalhar em tempo integral? Pois a família que me escolheu, não podia ser mais perfeita. Ashley, David e Mickey. Um casal jovem, modernos e amantes da vida. Me acolheram como parte da família na primeira semana. Se interessavam pela minha vida, se preocupavam com meu bem estar e adoravam ouvir histórias sobre o Brasil. Mickey e eu viramos melhores amigos desde o primeiro dia. Me apaixonei por ele perdidamente e era difícil dizer para as pessoas no parquinho que eu era a babá, e não a mãe. Lembro como se fosse ontem como era balançar ele no colo até que ele pegasse no sono, e como eu adorava ficar vendo-o dormir ali mesmo, sem pretensão de deixar ele no berço. Um bebê curioso, divertido e me dava zero trabalho. Ficava com fome e dormia exatamente nos horários programados. E não era pelo dinheiro extra que eu amava quando a Ashley me pedia pra ficar mais horas, mais dias… Eu estava perdidamente apaixonada por ele. A rotina foi se estabelecendo com rapidez. Eu tinha a maior parte da semana preenchida com Mickey e qualquer horário livre, eu estava disponível para aceitar mais bicos de babá. Eu precisava do dinheiro, né? Nos intervalos entre um baby e outro, eu parava em uma Starbucks qualquer pra escrever pro Blog com meu frapuccino de caramelo, às noites fazíamos a monografia do Príncipe juntos, e sempre que possível (quando a grana permitia) estávamos fazendo um programa diferente. Mas a rotina em si foi maravilhosa pra mim, que sempre amei uma. O que também ajudou a equilibrar a “vida morando juntos”. Que vou te contar, essa brincadeira de juntar as escovas de dente não é fácil, viu? Hora ou outra saíam umas faíscas não vou negar. Mas é uma delícia relembrar essa época e ver o quanto a gente se divertiu juntos. A gente amava uma sexta-feira no sofá com filme e pipoca? Amava! Mas também adorava explorar tudo o que aquela cidade mágica tinha pra oferecer. Fizemos quase de tudo! Só no United center, o estádio do Bulls e do Hawks, vimos um show inesquecível do U2 (êta homem que não perde o pique em 3 horas de show!), um jogo de basquete do Chicago Bulls com o icônico mascote Benny, uma luta de UFC que me deixou assustada em como dava pra ouvir cada golpe lá do nosso assento, e um jogo louco de hóquei do Chicago Black Hawks (que era nosso jogo favorito). O verão chegou, e como dura muito pouco mesmo por lá, aproveitamos ao máximo. Vimos filmes e shows de música no Millenium park, fomos a festivais de rua (tinha um por bairro todo final de semana), conhecemos o templo Bauhaus e fomos às praias mesmo sem entrar na àgua que era congelante. Bom,logo a gente tinha nossos programas favoritos: almoçar no Vapiano (o melhor restaurante de massa da vida), pique-nique no parque do Harbor do lado de casa, e jantar no Five-Guys (que era literalmente na esquina de casa e que é melhor que Shake Shack, mas vocês não estão preparados pra essa conversa). O itinerário era simples: casa/pega comida no Chipottle (mexicano) ou Five-Guys/pique-nique de frente pro lago/volta pra ver filme no projetor na parede do quarto. E também tinha o Cheese’s Bar, há 5 minutos a pé de casa, que olhando de fora, ninguém dava nada, mas foi onde eu descobri o melhor lanche de frango, e onde era mais divertido assistir aos jogos de Hóquei. A cada ponto dos Hawks, o bar todo cantava a musiquinha deles. Uma energia inesquecível. Mais inacreditável ainda foi quando vimos os Hawks serem campeões nacionais naquele ano. Parecia final de copa do mundo no Brasil. O Guilherme jura até hoje que viu um torcedor correr pelado pela rua em comemoração. Mas ainda teve o show do Ed Sheeran que fomos em Milwaukee, que deixou a gente desacreditado no talento daquele homem. Quem nunca viu, dá um google. É só ele no palco gente, sozinho, fazendo bateria, baixo, gaita, sanfona, triângulo, flauta, coro, 1a, 2a e 3a voz. SÉRIO. SURREAL. Lembro de me beliscar várias vezes durante o show pra me convencer de que era real aquele sonho, enquanto o príncipe repetia: “você merece”.

Sonho né? É, mas tem a vida real também. Lembram da aliança que ele me deu, que ficou apertada pra ele e larga pra mim? Nenhuma joalheria quis ajustar, então ficamos com ela mesmo. Até uma bela noite, que eu saí com um grupo de brasileiras que conheci por lá mesmo. Fomos num bar, com uma mega promoção de 5 litros de cerveja por 5 dólares. Cada uma pagava uma rodada e assim fomos. E eu fui rapidinho. Lá pela 5a ida ao banheiro, já andando meio flutuando, na hora de virar pra dar descarga, vi minha aliança escorregar em câmera lenta até o vaso e ir embora com a descarga. Mentira. Aconteceu tudo numa fração de segundos mesmo. Mas eu não estava sóbria, e fiquei parada olhando pra privada durante uns 5 minutos, tentando raciocinar como eu faria pra recuperar minha aliança. Saí do banheiro, fui até o bar e ACHO que expliquei a história pro garçom. Mas ele me ignorou, afinal, eu tentava perguntar em inglês se não era possível acessar o cano do esgoto pra resgatar meu anel. Gente!! Voltei pra casa rindo e chorando pra explicar pro Guilherme o que tinha acontecido. Ele riu, né? Fazer o quê? Bom, eu tratei logo de juntar dinheiro e mandar fazer outra. Era o mínimo né? Demorou pra me entender com o joalheiro árabe porque, segundo ele, meu inglês era “engraçado”. Mas saiu, e dessa vez, serviu! Até o Guilherme quebrar a dele alguns anos depois kkkkk Mas esse é outro capítulo. Quando agosto chegou, chegou também Runi e Muralha pra nos visitar. Com eles fui pela primeira vez em um Cirque du Soleil, e ficamos todos passados com a magia daquele espetáculo. Fomos ainda em um jogo de Baseball do Chicago Cubs. Mas fomos embora antes de terminar porque afff ô jogo demorado e que ninguém entende nada! Por eles ainda fui na roda gigante do Navy Pier que Deus-me-livre-nunca-mais. O importante é que foi indescritível ter uma das minhas melhores amigas lá. Desaguou uma saudade que a gente nem se dá conta que estava sendo represada. Aquela intimidade e o conforto de estar quase em família de novo, era renovador. Foi doído me despedir depois de 10 dias que passaram tão rápido. Antes de fechar Agosto, o Príncipe ainda pulou de Paraquedas! No último segundo, eu quase embarquei junto, mas daí lembrei do pavor da altura na roda-gigante, e graças à Deus desisti. Mas Guilherme jura de pé junto que foi das melhores experiências da vida dele. Eu deixo pra vocês decidirem por si e a minha parte eu aceito em dinheiro, ok? No dia seguinte dessa aventura, topamos ir numa balada country do lado de casa com o Bonde da Feletti. E foi o máximo! Pena que eu exagerei nas performances e simplesmente não conseguia mais dar um passo com aquele salto no pé. Mas lembram que eu disse que agora era Príncipe mesmo o nome dele, né? O menino tirou o tênis, deu pra mim, carregou minha sandália e voltou a pé pra casa descalço. E não foi eu que pedi não, tá?! Repitam comigo: PRIN-CI-PE!! De novo: o amor está nas coisas simples, anotem! Pra fechar a tour de eventos incríveis que vivemos, a chance de realizar mais um grande sonho da minha vida chegou: ia rolar um show do Backstreet Boys na praia. Feletti me convidou, o Príncipe passou a vez muito obrigado, e eu topei rapidinho. Cadê a turma dos anos 90?? Passamos a semana inteira ouvindo eles no repeat, ansiosíssimas. E nem o tempo meio chuvoso ou a fila enorme pra conseguir comprar cerveja, diminuiu nossa animação. Começou: “EVERYBOOOOODY!” -entra um. “ROCK YOUR BOOOODY” -entra outro. “OH MY GOD WE’RE BACK AGAIN”- entra outro. E segue a música. E nada de entrar o resto. Mas beleza, cantamos junto sem desanimar. Mas não é que eram só 3 deles mesmo? Algum imprevisto impediu 2 deles de chegarem a tempo do show. Naquele momento eu só consegui imaginar a gargalhada do Guilherme correndo pra contar a pérola pro Rocasogro. Mas gente, ainda assim, o show do trio foi incrível e eu nunca vou esquecer a vibe daquele dia, zoe o quanto zoar (pra você essa tá, Guilherme).

A gente ia se despedindo de Agosto e, com isso, via meu aniversário se aproximando ali na esquina. Mas como 02.09.2020 tá logo ali também, vou deixar esse capítulo pra contar semana que vem porque eu amo uma sincronia -não que eu seja a virginiana perfeita, desistam- ok?


--

Por Rayssa Olivão











Comentários

Postagens mais visitadas