2a TEMPORADA - Capítulo I

 


O ano é 2015.

28 de Março, sexta-feira. Meu último dia trabalhando na empresa dos meus sonhos. Chorei, hein? Logo vocês acostumam que eu sou uma pessoa que chora. Muito. Não tanto quanto a Rocasogra. Mas choro fácil, de tristeza e de alegria. Reservem essa info. Depois de passar derramando lágrima nos 3 andares da empresa me despedindo das pessoas, meus sogros foram me buscar. Isso porquê, um mês antes, Rocasogro gritou um dia no meio de um jantar: “RÁ PODEMOS LANCHAR NO SEU ÚLTIMO DIA DE TRABALHO?! RESERVA PRA GENTE POR FAVOR?”. Logo vocês também vão descobrir que ele não é a pessoa mais indicada pra guardar em segredo uma festa surpresa, por exemplo. Mas, para sua sorte, eu não desconfiei na época. Pois bem, me levaram pra um lanche no Patropi (quem conhece, já tá com água na boca que eu sei). E lá ficamos por 1h30 mais ou menos, enquanto o Calopsitinha me perguntava a cada 10 min o que estávamos fazendo. Quando enfim me levaram pra casa: SURPRESAAAA!

Uma despedida surpresa organizada pelas perfeitas B. e Runi. Senão não ia ter graça fazer intercâmbio, né? Chorei de novo, óbvio. E foi uma sensação incrível ver tanta gente querida reunida ali na casa do Daddy, pra se despedir de mim. Até Cheila Carla que trabalhava comigo, e há 2h atrás eu não deixava ir embora pra ir pra festa porque ficava falando/chorando no ouvido dela. Foi lindo! Quase desisti de viajar com medo de largar todo aquele amor pra trás. Mas foi ali que eu comecei a entender que as relações quando são verdadeiras, não ruem com o tempo, nem com a distância. No dia seguinte a festa continuou com a família. Foi mais difícil ainda imaginar deixar tudo aquilo. Tenho família grande, e um churrasquinho em casa sempre foi dos meus programas preferidos. Ainda mais agora que a minha família e a família do Calopsitinha era uma só. A ficha começava a cair de verdade. E toda vez que eu ia pro colo do Daddy, era mais difícil sair, ou conter o nó que empacava na garganta. Minha mãe ficava freneticamente pra lá e pra cá. E a cada 10 minutos apertava minhas costelas por uns segundos, como ela fazia quando eu era menor, e saía. Acho que ela também estava tentando lidar com um nó na garganta, né? Oh! Até me arrepia! Do outro lado do oceano, vivia um Calopsitinha com a psoríase no pé atacada de tanta ansiedade. Fazer a mala não foi uma tarefa fácil. Meu sobrinho entrava e saía da mala a cada 20min. Eu não sabia como fazer mala pra um ano. E por fim, eu definitivamente não tinha roupa adequada pro frio de Chicago. Ainda, Rocasogra pediu pra enfiar na mala um pacote branco fechado pro Calopsitinha. Que me deu tanto trabalho pra encaixar no meio das coisas que eu quase deixei no Brasil fingindo que esqueci. Mas com um empurrãozinho e uma criança pulando em cima da mala pra fechar, fechou. É isso. Só faltava embarcar. No domingo à noite era um misto de “quero ir logo” com “não sei se consigo ir não”. O voo era às 21h no dia seguinte. Meus pais e Rocasogros foram me levar. E a passagem pelo portal mágico quando avistamos o portão de embarque foi igualzinha. Aquele silêncio ensurdecedor travando a garganta e o peito de todos nós. Pra ajudar, minha mãe me deu um bichinho com uma cartinha pra ler no avião. Era um daqueles macaquinhos olhudos. “Pra você saber que estarei sempre te acompanhando, sempre te protegendo”. E dessa vez, fui eu que passei pela catraca levando parte deles comigo. Mas deixando metade de mim pra trás. Olha, despedida por opção é um treco difícil hein?! Credo!!! Fui inchada chorando até sentar na poltrona do avião. Mas sobrevivi. Antes de perder o 3g recebi: “Não vejo a hora de te ver, vem logo!”. “Tô indo, te amo!” mandei e dormi a maior parte do voo. Logo vocês acostumam também que eu amo dormir e durmo com facilidade em qualquer lugar. 10 horinhas, uma escala e uma experiência atípica na imigração onde o policial só perguntou pra onde eu estava indo e me deixou entrar, cheguei. Enquanto ele me esperava com um bouquet de rosas, eu fiz uma paradinha no banheiro pra escovar os dentes, renovar o desodorante, dar um tapinha na make, e colocar o brinco na orelha (ouvindo mentalmente minha mãe perguntar “cadê o brinquinho?”). Dois meses longe do namo, achei melhor dar uma valorizada. O aeroporto estava bem vazio e enquanto eu procurava a indicação da saída, eu o vi através de uma porta de vidro. De terno e flores na mão. Travamos. Chorei. Não sei bem se eu podia fazer isso, porque não era o que as demais pessoas estavam fazendo, mas atravessei por aquela porta mesmo. E daquele abraço ninguém poderia me tirar. Era doido. Mas eu já me sentia em casa. Acho que era aquele abraço que já me parecia lar. Saímos do aeroporto para esperar um uber e eu já entendi que o único sobretudo que eu tinha levado não daria conta daquele frio. Mas ok, depois a gente pensa nisso. Naquele momento eu só queria que o bendito uber chegasse e eu pudesse tomar um banho em casa. E de repente, uma limusine branca enorme estaciona na nossa frente. Tinham muitas outras circulando por ali então a princípio eu não liguei muito. “Vamos, princesa?” Calopsitinha disse sorrindo. O motorista desceu para nos ajudar com a bagagem. Chiquérrimo com um terno cinza e gravata roxa. Gente, sinto muito, não dá mais pra seguir chamando essa criatura de Calopsitinha daqui pra frente. Vamos de Príncipe mesmo tá? ESSE HOMEM ALUGOU UMA LIMUSINE PRA ME BUSCAR NO AEROPORTO, COM UM BOUQUET DE ROSAS E CERVEJA GELADA DENTRO!!! OLHA!!! SEM CONDIÇÕES!!! Porém, nada mais do que eu merecia né? Dias de glória chegaram, amém? Amém! A gente nunca soube se comportar direito com coisas e lugares muito chiques. Então ficamos rindo à toa o caminho inteiro dentro daquele carro imenso. Eu me sentia a própria Serena VDW em Uper East Side. Sentava a cada 2 minutos num canto diferente dizendo pro Príncipe “não acredito que você fez isso”. E ele só sabia responder: “Você merece”. Era de fadas, mas era real.

Quando chegamos no apartamento, vinho e bilhete de boas vindas no guardanapo (como sempre) me aguardavam. No quarto, ele tinha feito um mural com todos os recadinhos que eu tinha dado pra ele levar quando ele foi pra Chicago antes de mim. Um recado para cada dia que ele passaria longe de mim. Ele expôs todos na parede, com fotos nossas e uma sigla estranha: O.H.I.A.R. Quando questionei o significado, ele se limitou a responder “Amanhã você descobre”. O dia seguinte ele tinha pego um dia de férias pra passar o dia comigo. Me levou café da manhã na cama, viu o furacão das minhas malas ser solto no quarto, e me levou pra conhecer a cidade. Mas tudo tinha um roteiro bem programadinho a seguir. Quando chegamos na frente do famoso teatro de Chicago, ele me entregou um papelzinho dobrado. “O=Our” estava escrito. E embaixo uma mensagem que dizia como nossa vida seria incrível naquele lugar. Depois me entregou uma revista que mostrava todas as atrações da Cidade e região. E quando folheei, encontrei dois ingressos impressos. Vocês estão preparados? Eram ingressos para um show do Ed Sheeran em Julho. Eu perguntei umas 20 vezes entre pulinhos: “É sério?! É sério?!”. E ele ainda respondia: “Você merece”. Repitam comigo: PRIIIIN-CIII-PEEEE!!!! Dali fomos para o Millenium park. E ele parou de frente pra uma ponte, que dava pro Instituto de Arte de Chicago. “Essa ponte é familiar pra você?” ele perguntou. Ai pronto, vou estragar toda a história romântica que ele idealizou. Pensei em mentir, mas acabei sendo sincera. “Não hehehe”. “Não lembra?!?!” ele insistiu. Ai gente que nervoso olha eu estragando a cena bonita do meu filme!! Mas eu não lembrava real. “Naquele filme rayssinha que você ama… ‘Para Sempre’... Eles casam no Instituto de arte, e saem correndo por aquela ponte…”. T-O-D-A-A-R-R-E-P-I-A-D-A!!!! Como que ele guardava essas coisas ninguém explica! Aliás, #ficaadica: filme lindo! E então, me entregou um caderninho e mais um bilhetinho dobrado. “H=HISTORY” estava escrito. E a mensagem embaixo dizia como ele esperava que eu pudesse escrever muitas novas histórias naquele caderninho. Oh o bicão do choro se formando! De lá fomos até “o feijão”, um monumento turístico bem famoso da Cidade. “E ali, você lembra?” ele perguntou. “Sim…” ai menti, né gente? Eu sentia que o clímax tava chegando eu não podia estragar tudo de vez. “Foi debaixo do feijão que o casal deu o primeiro beijo como marido e mulher…” graças a Deus ele explicou mesmo assim. Eu já estava me tremendo toda quando ele me me puxou para um dos bancos ali perto, e me entregou o último bilhetinho. “In A Ring” estava escrito. “O.H.I.A.R = Our History In A Ring / Nossa História Em Um Anel”. E quando vi, lá estava ele com uma caixinha aberta e dois anéis prata brilhando pra mim. Olha, pra quem viveu um relacionamento por 5 anos, onde o fulano manipulava o status do Facebook pra ficar namorando pra mim, mas solteiro pro resto, eu sempre fiquei só na vontade de usar uma aliança de namoro, né? Achava o máximo, quanto maior, melhor. E sabia que o Gui era o tipo de pessoa que me daria aquilo. MAS NADA ME PREPAROU PRA TODO ESSE TOUR ROMÂNTICO NÃO MEU POVO!!! Com o sorrisinho torto que eu amo e aqueles olhinhos azuis me encarando, ele pediu: “Namora comigo de novo, agora de aliança?”. Eu quase podia ouvir os sininhos da Disney tocando ao fundo, de tão irreal que parecia. Daí o anel ficou largo pra mim, e apertado pra ele e voltamos pra realidade kkk. Esse era o pacote que a Rocasogra enfiou na minha mala e ele sorrateiramente pegou sem eu notar. Eles mandaram fazer o anel no Brasil, estimando os tamanhos, e acabou não dando muito certo. Ops! Mas nem isso foi capaz de quebrar a magia daquele momento (depois a gente ajustava, né?). No primeiro dia daquela minha aventura num País estranho com gente esquisita, depois de quase termos cancelado tudo, ele me deu a prova que eu precisava pra entender que eu tinha feito a escolha certa. E que os capítulos seguintes seriam nada menos que mágicos. E tenho certeza que vocês vão adorar cada um deles. Até semana que vem 😘

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Por Rayssa Olivão










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