SUAS PORTAS FECHARAM. MAS ESSA JANELA ABRIU. QUER VOCÊ QUEIRA OU NÃO.
Se tem uma coisa que esse cenário caótico nos revelou, foi a janela do próximo.
Já parou pra pensar que quando ouvimos por aí: "descubra como é bom passar um tempo só consigo mesmo" ou "aproveite para desengavetar aquele projeto autoral", essas sugestões só fazem sentido pra uma parcela da população mundial?
Uma pequena parcela.
Não que eu seja contra esse tipo de conselho, que se preocupa com a sanidade mental de quem vive o confinamento. A questão aqui é, que o confinamento por si só, já é um privilégio. De uma pequena parcela.
As medidas de cancelarem as aulas, determinar o home office, fechar o comércio e adiar eventos e shows atingem a todos nós, de maneiras muito diferentes. Enquanto um lado lamenta não ver um ídolo, o outro sofre a grana extra do bico de segurança que ia rolar. Ao mesmo passo que pais perdem o controle da casa com os filhos em casa o dia todo, outros pais se desesperam por não poder contar mais com a merenda da escola para o filho. Enquanto uns têm dificuldades para se adaptar a rotina de trabalhar de casa, outros foram os primeiros a perder o emprego.
Percebeu que de fato está todo mundo sob a mesma tempestade, mas em barcos muito diferentes uns dos outros?
Tudo fica mais exposto.
A agressiva desigualdade social latente. Crescente. Derrubando cada dia mais muros.
A fragilidade de quem não tem quase nada. Não cabe "lavar as mãos por vinte segundos" para quem não tem nem saneamento básico. Ou tem uma só cama pra dormir quatro.
O povo sonegado. O abandono do sistema. Que se esconde atrás de um ameaçador "se não morrer doente, vai morrer de fome" para não dizer com todas as letras "não quero pagar.".
E aí, o que vai prevalecer? Nesse momento de ressignificação que você pode fazer, diz respeito somente ao que cabe dentro das suas quatro paredes fechadas? Ou pela janela entra o valor de cada uma das vidas que estão lá fora? Te desafio a ressignificar as palavras - saúde; fome; teto; dignidade; sonhos; vida - fora dessa bolha que você fez morada por tanto tempo.
Essa lição é sua também. De cada um de nós.
Mas é o tipo de lição que se leva para a vida pós-quarentena.
Além de doar(-se) mais ao próximo, ENXERGUE o próximo.
Porque se tem uma coisa que essa crise ensinou, é que de um dia pro outro, o próximo pode ser você.
O barco parrudo não precisa definir seu caráter.
Toda vida importa.


Comentários
Postar um comentário