MUDANÇA
Estamos mudando de apartamento.
E além de encaixotar tudo, precisamos também arrumar algumas coisas aqui.
Tivemos que repintar de branco uma parede que era todinha azul anil.
Desmontar alguns móveis que pareciam parte do ambiente, e descartar, porque não se encaixam no novo apartamento. O Gui fica ansioso com esses processos, então começou bem antes a movimentação. A cada dia, enchia e fechava uma caixa.
Eu sou mais resistente à mudanças.
Amo uma rotina. Gosto da segurança de pertencer a um lugar. E mudar de país já foi um desafio e tanto pra mim. Quanto mais eu pudesse postergar mais uma novidade, o faria.
Mas o deadline chega, né? Entrei na dança do empacotamento porque em algumas semanas entregamos uma chave, e pegamos outra. Perfeccionista chata que sou, peguei a pintura de uma parede que já era branca, para um novo banho de tinta. E descobri que quanto mais eu esfregava, menos a parede ficava uniforme como antes. Olhando de frente, ficou linda. Mas olhando de lado, as falhas eram bem visíveis.
Quando fui pras caixas, notei a quantidade de sacolas de descarte/doações que conseguimos encher. Pensei em como nos tornamos acumuladores com o tempo. Tanta coisa desnecessária que a gente vai guardando lá no fundo do armário ao invés de passar pra frente, ou jogar fora.
O Gui já está sonhando onde vamos pendurar cada um dos quadros que temos, e como vamos transformar a tão sonhada varanda num cantinho gostoso pra eu ler meus livros.
Eu prefiro ir com calma.
Ainda tem muita bagunça nesses m2 pra lidar.
Deixa eu mudar pra começar a pensar.
Eu ainda tô muito aqui, e pouco me imagino lá. É, não sou muito fã de mudanças mesmo.
Mas preciso dizer que ela me fez pensar. Faz sentido que elas assustem, né? Até pra quem gosta, o processo nunca é simples. Precisa bagunçar tudo, antes de reorganizar.
Muito do que fica, nunca mais voltará a ser o que fora um dia.
Assim como o que levamos conosco, irá compor um cenário completamente novo, apesar de nem tudo ser novinho em folha. É nossa história.
O que deixamos, e para o que rumamos.
Marcas nossas que ficam, e espaço que abrimos para o novo.
Pra sempre melhorar. Cada um no seu ritmo, o importante, é mudar.
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Por Rayssa Olivão



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