LÁ FORA MUDOU
Olhando daqui de dentro, lá fora parece tão intenso.
Eu quase consigo sentir o cheiro do sol, da brisa, do céu.
Talvez sejam as cores de outono chegando, tingindo ruas e telhados,
do amarelo ao laranja em perfeito consenso.
-
Será que foi sempre assim?
Não me lembro de observar o poder dessas cores na minha janela antes.
Talvez a intensidade esteja aqui dentro.
O processo ficou mais quieto, mais lento.
O barulho deu espaço ao tempo.
Que eu não parava para admirar há tempos.
-
Quando eu vivia ali no meio, acho que não levantava nem o olhar.
Eu nem sabia que me impressionava tanto essa paleta.
Ao primeiro sinal de arrepio me cobria, automaticamente.
Sem nem sentir esse outono minha pele beijar.
Quanta estupidez podemos carregar, que não nos cabe mais admirar,
nem o voo da borboleta?
-
Lá fora mudou, ou aqui dentro despertou?
Nem me atrevo pensar nos dias desperdiçados, depois de tanta lucidez.
O mundo que me aguarde, quando eu puder ter essa intensidade toda,
esparramada lá fora outra vez.


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