DESAMARRA
No geral, eu sou tímida.
Quando não estou cercada dos meus amigos. Ou num ambiente que já me é familiar, sou mais quietinha. O que não condiz muito com meu jeitinho quando criança. Segundo meus pais, eu não fazia o tipo envergonhada nem quieta.
Mas não me espanta isso ter se apagado na adolescência. No colégio eu não era de levantar a mão, mesmo quando soubesse a resposta. Quem acompanhou sabe que eu me emaranhei num ambiente de muito julgamento. Tinha baixa auto estima. Me esforçava pra pertencer onde não me cabia. Todo dia uma expectativa diferente a atender. Mesmo que não fossem minhas.
E vez ou outra me pego pensando na nossa evolução. Como ser humano. Ou simplesmente como ser. Hoje adulta eu enxergo um meio termo. Soltei algumas amarras. Ainda perco algumas oportunidades de crescimento. Por timidez. Ou falta de coragem. Mas conquistei muito espaço por me arriscar.
E coleciono memórias incríveis por ter ligado o f*da-se do que iam pensar. Todo mundo tem suas feridas. E se permitir olhar para si, pra refletir aqui fora não é um processo simples. Mas cura. Hoje em dia tá em alta o discurso “não se cobre tanto”, “respeite seu tempo”.
Acho tão precioso isso. Tento aplicar diariamente. Mas também falho nessa missão. Mas ainda sim, me sinto orgulhosa de encontrar registros assim no rolo da câmera. Daqueles momentos que me deixei ser. Leve. Boba. Feliz. E percebo que eles não são mais assim, tão raros. Talvez até os meus melhores amigos digam que, de tímida, não tenho nada. Ainda bem!
Que eu me desamarre cada dia mais de uma vida sem leveza, umas ideias sem sentido, e gargalhadas de doer a barriga mesmo que seja do próprio ser.
Acho que só assim vale à pena viver.



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