CAPÍTULO II


O ano é 2009.

Voltei de Aracajú outra pessoa. Determinada a seguir em frente, sem Guilherme. Pareço bem adulta. Mas eu ainda era apenas uma adolescente. E pra quem acompanhou, foi quando conheci Paolo.

E foi a vez do Guilherme se arrepender, e sentir saudades. Começou a puxar papo, aparecia nos rolezinhos onde eu ia, pedia para as amigas em comum virem falar dele pra mim, nossa, desesperado o coitadinho. Mas, eu não dava bola e achava bem feito. Até que em Julho, fiquei solteira de novo, traição, aquele rolo todo (volte 3 posts). E ele achou uma boa ideia me chamar pra trabalhar no Buffet (aquele bendito que arruinou nosso namoro 1 ano atrás). Mas eu confesso que achei uma boa ideia também, ocupar a cabeça e fazer uma graninha. Mal não ia fazer né? Virei monitora da área Baby.

E mesmo naquele macacão colorido e de cabelo preso, eu podia ver ele me olhando a festa inteira. Acabei sendo chamada pra trabalhar quase o mês todo. E logo toda a equipe sabia da nossa história. Ele paquerava, eu me divertia e lembro de conseguir ler naqueles olhinhos azuis o tanto que ele queria dizer. Mas não dizia. E o tanto que era dedicado no trabalho? Vi com meus próprios olhos. Foi quando eu fiquei sabendo que ele tinha seguido meu conselho, e fazia aulas de inglês e espanhol aos sábados das 8h as 11h, antes da primeira festa começar. Ele tinha 16 anos, vale lembrar. Me perguntavam se tínhamos chances de voltar, mas eu negava. Porque, adivinhem quem reapareceu quando soube que eu estava trabalhando com o ex? Paolo. E nesse caso, eu recaí. Então minha cabeça tava em outro mundo e, apesar de ficar balançada vendo o Gui apaixonadinho, eu não conseguia me desvencilhar do labirinto em que tinha me metido. E depois de um dia inteiro no Buffet, ele tinha que me ver indo embora com Paolo.

Até que parei de aceitar as chamadas do Buffet, e vocês já podem imaginar o porquê. Paolo deixou claro que queria que eu mantivesse distância do ex. E claro, eu obedecia. O fim do ano foi chegando, eu já tinha aberto mão da minha viagem de formatura pra Porto Seguro por causa do namoro, não estava preparada e nem tinha um plano pra faculdade no ano seguinte, porque me emaranhei naquela relação. Depois de um sacode do meu pai, dizendo que eu era privilegiada mas nem tanto e, se quisesse comprar brusinha, ia ter que arrumar um emprego, montei o currículo e distribuí no Shopping. No dia da minha primeira entrevista, uma chance pra adivinhar quem estava lá, fazendo exatamente a mesma coisa. Calopsitinha!!!

Foi tão natural aquele encontro. Rimos, trocamos dicas e angústias. Ele me testou com perguntas tipo: “Se você fosse um animal, qual seria?”. Me esperou durante minha entrevista, eu o esperei durante a dele. Comemoramos que ele tinha sido contratado, e fomos embora. Tudo em total sigilo, imagina se Paolo descobre? Teve até aquela cena clássica, de virar pra trás pra ver se ele ainda estava olhando, sabe? E estava!! Af, eu tava com a minha história de cinema ali e nem sabia. Bom, acabei sendo contratada por outra loja, onde eu não tinha deixado meu currículo, mas quem tinha me indicado? Bingo. Não nos cruzamos muito durante meu período no shopping, ele era tão focado na meta que mal saía da vez pra ir no banheiro. Quem viveu, entendeu.

Eu não era tão focada assim, e durei apenas 3 meses na loja. Mas não demorou pra ele cruzar meu caminho de novo. Em 2010, ingressei no 1 semestre de Publicidade. Paolo destrancou a matrícula para entrar na mesma sala que eu. E no corredor do lado, quem estava cursando RI? Ele mesmo!!! Eu lembro como se fosse hoje desse encontro. Até engasguei com a surpresa. Mas a gente não chegou nem a papear nos intervalos. A essa altura eu já tinha medo se Paolo percebesse que eu olhava pro lado. Gui acabou trancando a faculdade por outros motivos 2 meses depois, e nos distanciamos mais uma vez. Eu seguia no meu conto de horror com Paolo. Mas dessa vez cortei relações real com o adorável calopsitinha em prol do atual namoro.

Em 2011, Gui fez sua última tentativa de não só me reconquistar, mas me alertar de uma vez por todas, que eu tava numa furada. Era uma sexta a noite, e eu fazia as malas pra ir com Paolo ao acampamento da igreja dele. Pra mim, Paolo fazia o mesmo. Mas Guilherme o viu numa festa, com outra garota. Pra evitar que eu achasse que ele tinha segundas intenções, pediu que um amigo em comum me contasse. Mas foi tão mal explicado, que o fulano se embananou e logo contou quem tinha pedido pra falar. Questionei Paolo, sem sucesso. Me deu um olé, eu acreditei, e ainda pedi desculpas por desconfiar. Fiquei furiosa.

Chamei o calopsitinha e não economizei no verbo. Onde já se viu querer destruir meu namoro assim, inventando mentiras?! “Ok, se é nisso que você acredita, eu lavo minhas mãos” ele disse. E lavou mesmo. Sumiu de vez. E a verdade deu seu jeito de chegar até mim de outro jeito. Mas eu já não tinha nenhum contato com o X9 de olho azul. Então seguimos, separados.

Mas, reza a lenda que, vez ou outra, uma calopsitinha ligava na empresa onde eu trabalhava de recepcionista, só pra ouvir minha voz.


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Por Rayssa Olivão

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