É possível. Mas é um saco.
Tá mais na moda que animal print.
É um saco.
Mas é possível.
E faz todo o resto valer à pena.
Enquanto por um lado a internet hoje é capaz de aproximar as pessoas, por outro, abriu a porteira dos relacionamentos à distância.
Tava tudo indo muito bem, obrigado.
Leve, divertido, com uma sintonia de balada à sexta de maratona Netflix.
Até que: "..tão comentando de uma oportunidade ali nos cafundó-do-xiririm..."
Seguido de: "...lembra que eu comentei? Seria 1 ano só..."
E arrematado com: "...tô indo mês que vem.".
Sério.
Já embrulha o estômago todinho.
A princípio, você acaba sendo mais racional.
- Poxa, uma oportunidade única! Hoje o mundo é isso, desse tamanico, pra gente rodar ele todinho mesmo. Vai agregar tanto pra um, pro outro, pra nós.
E vai mais fundo, usando até o último grãozinho da maturidade que você juntou até hoje.
- É isso. Focamos cada um na sua carreira por agora. A gente se apoia, cada um na sua individualidade. Hoje em dia tem Skype. E 1 ano? Ano passado não acabou de acabar? Vai passar voando.
Não vai.
Não que tudo isso que veio à mente nesse brilhante momento de lucidez não tenha seu valor. Na verdade, esse discurso é invejavelmente sensato, porém, é apenas o discurso. A teoria.
Para sustentá-lo, na prática, é preciso olhar um pouquinho mais afundo.
Mas a essa altura, já estão planejando as próximas férias, as idas e vindas de alívio (a cada mês quando possível), já começou a correria de fazer mala, mudança e, enfim, as despedidas.
Aí a fichinha vai começar a cair.
Eu preciso deixar claro aqui: não se trata de dependência doentia não.
Mesmo porquê, não é na sua individualidade que aquela ausência vai te pesar.
Nos seus momentos só com os amigos, ou naquela hora de paz pra ler um livro no quarto.
Isso é seu e ninguém tira, combinado?
Estamos falando daquele dia pesado, estressante e infeliz. Quando você chegar em casa desejando uma taça de vinho, um balde de pipoca e aquele abraço pra esquecer que todo o resto existe, mas não vai ter.
É na simplicidade que o encontro com o outro representa.
Também daqueles dias que são muito bons, e nada mais importa, só a felicidade compartilhada que você vai brindar com o outro dali a pouquinho. Epa. Não vai não.
Não vai dar pra chutar o balde e em 20min poder mergulhar no seu porto seguro.
Porque dessa vez ele está a algumas horas e uns pedágios, ou a um oceano e cinco fusos de distância de você. Mais do que isso, também não vai dar pra respirar fundo e esperar o fim de semana chegar.
Ele vai chegar. Vai passar. E esse nózinho vai continuar aí.
A medida que a fichinha quica aí dentro, parece que o ar vai cessando, né?
Mas tá aí um lado bom.
Você descobre sua capacidade de respirar, mesmo assim.
Porque quando vale à pena, vale.
E você entende isso quando segue respirando conforme as novas adversidades vão se apresentando -nada tímidas.
Quem foi, tem um mundo todinho novo.
Novo cenário. Novo círculo de convivência. Novas amizades. Nova rotina. Novos costumes e por vezes até um novo idioma.
Quem ficou, tem um mundo todinho também. Porém igual.
Quem foi conhece tudo e todos de quem ficou.
Quem ficou não sabe, nem tá inserido em nada do que o outro descobriu por lá.
Faz parte do jogo.
Ambos sofrem, sem dúvidas.
Mas cada um o seu próprio fardo, além daquela saudade em comum.
Quem ficou, tem a impressão de ver o tempo passar mais devagar nesse cenário igual, sentindo a exclusão forçada da vida do outro e os pesares que isso lhe traz.
Quem foi, as vezes se vê engolido pelas novidades todas rápidas demais. Mas quando pára por um momento, o tempo se arrasta numa solidão ensurdecedora.
A internet salva, é verdade.
Mas nada substitui o toque. O cheirinho. A aquecer no peito em poder entrelaçar os dedinhos.
Logo você escuta "Já acostumou, né? Jajá acaba".
Claramente essa pessoa é bem chata. Mas ela não está totalmente errada.
Uma hora ou outra, a distância acostuma.
Você acostuma a acordar e responder as mensagens que você recebeu quando já estava dormindo.
Acostuma a ouvir áudios contando vários acontecimentos, ouvindo vários nomes que você nem consegue decorar quem é quem, e piadas que foram engraçadas só no momento mesmo.
E também a contar uma história, sabendo que ela pode se perder por ali, já que seus horários se desencontram e, quando receber a resposta, ninguém nem lembra mais o assunto.
Acostuma.
Mas cansa também.
Quando a conversa não flui. Os compromissos adiam o FaceTime. Ter que redigir a redação do ENEM pra explicar a interpretação errada de uma mensagem torta. Quando tudo o que era preciso para a acabar com aquela briga besta era um beijo. Quando a contagem regressiva do próximo encontro resolve empacar. Ter que juntar cada centavo pro próximo encontro enquanto você só queria uma brusinha nova. Ou precisar engolir saudade no café da manhã, todo-santo-dia.
É exaustivo.
Acostuma a ouvir áudios contando vários acontecimentos, ouvindo vários nomes que você nem consegue decorar quem é quem, e piadas que foram engraçadas só no momento mesmo.
E também a contar uma história, sabendo que ela pode se perder por ali, já que seus horários se desencontram e, quando receber a resposta, ninguém nem lembra mais o assunto.
Acostuma.
Mas cansa também.
Quando a conversa não flui. Os compromissos adiam o FaceTime. Ter que redigir a redação do ENEM pra explicar a interpretação errada de uma mensagem torta. Quando tudo o que era preciso para a acabar com aquela briga besta era um beijo. Quando a contagem regressiva do próximo encontro resolve empacar. Ter que juntar cada centavo pro próximo encontro enquanto você só queria uma brusinha nova. Ou precisar engolir saudade no café da manhã, todo-santo-dia.
É exaustivo.
Mas sabe o que fica de tudo isso?
Verdade.
Se o relacionamento não apenas sobrevive, mas evolui, mesmo à distância, meu anjo, ele é verdade.
Ele foi espremido e esticadinho até a última gotinha.
Foi privado do toque, do cheiro, do abraço.
Te fez aprender na marra que um encontro de almas acontece de portas e janelas abertas.
Empurrou goela abaixo a lição de que estar junto é sobre estar dentro, e não perto.
Que a presença vai muito além do físico. É questão de disposição. Comprometimento.
É entender de fato que só o simples importa. E o simples tá enraizado.
Tá na felicidade que um, encontra na felicidade do outro.
Essa é a presença que todo mundo devia buscar por aí.
Aquela que podendo ir, escolhe voltar.
É entender de fato que só o simples importa. E o simples tá enraizado.
Tá na felicidade que um, encontra na felicidade do outro.
Essa é a presença que todo mundo devia buscar por aí.
Aquela que podendo ir, escolhe voltar.
Se o relacionamento permanece aí, ele é verdade pura.
Gruda nele. Mesmo que ele continue embarcando pra lá e pra cá.
Ele é verdade.
Gruda nele. Mesmo que ele continue embarcando pra lá e pra cá.
Ele é verdade.
Daquelas que a gente já quase não encontra por aí.
Daquelas verdades raras.
Que encurtam distâncias.
Que estão acima dessa doideira toda.
Que encurtam distâncias.
Que estão acima dessa doideira toda.
Daquelas que você só vai enxergar na troca de olhar de um reencontro.
Na rodoviária ou no aeroporto.
Na rodoviária ou no aeroporto.
É um saco.
Mas é possível.
E faz todo o resto valer à pena.



O amor verdadeiro vai mesmo muito além do físico, é coisa de alma . E essas idas e vindas é importante para alimentar amor.
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