TALVEZ VOCÊ NÃO ESQUEÇA

Mas tudo bem.
Talvez não caiba pra você o que todo mundo diz sobre "jajá você esquece".
De fato, tudo nessa vida passa.
Mas a forma como passa, não veste igual pra todos nós.
E aceitar isso, é o mais importante.
Pode ser que você não esqueça. Mas ao lembrar, não te machuque mais.

Tem coisas e pessoas que passam nas nossas vidas, por muitos outros motivos diferentes do permanecer.
Tem tanta gente no mundo, e tanta coisa pra ser feita em bilhões de vidas, que olhando assim, parece até loucura esperar que vivenciemos apenas experiências com finais felizes.
Taí outro equívoco.
Só porque não foi o final que você achou que seria, não significa que não foi um bom final.
Ou que o final estragou todo o filme.
Cruzamos e descruzamos tantos caminhos pelo mesmo motivo pelo o qual temos um professor para cada matéria nas escolas.
Uma só vida não é capaz de nos ensinar/agregar/expor a tudo, em uma só vida que temos.
É preciso atender à grade toda.
E algumas delas, tem o professor chato. Ou o rígido. Ou aquele que te decepciona.
Tem coisas e pessoas que passam nas nossas vidas de forma muito intensa.
Mas isso não faz delas necessariamente eternas.
Mas talvez as torne difíceis de esquecer.

Eu não duvido que boa parte de quem não consegue seguir em frente, tá empacado na impossível saga de passar a borracha em algo escrito a tinta.
Passando dias e noites remoendo como tudo que parecia tão perfeito, desmoronou.
As juras. Os planos. As fotos. As viagens. A intimidade. A confiança. A entrega.
Tudo evaporado. Como num passe de mágica.
Mas aí dentro, tá tudo intacto.
Pra te lembrar que era real. Mas acabou.
Mas perceba que se você tirar a segunda parte, a primeira não é automaticamente anulada.
Não deixou de ser real.

Ué, nesse caso, não tem porquê passar a borracha.
Esforce-se para esquecer aquilo que não agrega. O que foi vazio.
Mas o que te trouxe algo, guarde.
E acredite: até o que se revela lixo e/ou abusivo, deixa algo pra agregar.
Passe a borracha nas lágrimas, mas grife a força, a superação e o amor próprio que floresceram.
Aprenda com o que tiver que aprender, bota na mochila e siga para a próxima.
É assim que a gente passa de fase.
Mas não confunda com amargura.
"O que aprendi foi a deixar de acreditar nessa p*#%@"
Desse jeito você cultiva ferida aberta. E uma hora ela infecciona (apenas você).

O ser humano tem mania de posse. A coisas e a pessoas.
Não somos feitos de posses, mas sim de trocas.
É assim que a gente evolui.
Passe a carregar as experiências que viveu (boas e ruins) com carinho, e você poderá carregar essa mochila pelo resto da vida, sem dor na coluna.
Encontre sua paz de conviver com todos aqueles momentos, sem o pesar de terem acabado (ou de terem existido), e eles vão deixar de te assombrar, para passar a visitá-lo como boas lembranças. E só.

Talvez você não esqueça. Mas talvez nem precise.

E assim você se prepara para novos encontros.
Novas histórias.
Novos sorrisos.
Novas trocas.
Mesmo que você não esqueça.
E quem sabe um dia, quando aquela lembrança cruzar sua mente -ou a calçada- ao invés de machucar, com apenas um aceno de cabeça, vai passar.

--
Por Rayssa Olivão




Comentários

  1. Caraí mano ! Valeu por isso . Te amo

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  2. Caramba!! É isso!! Como eu ja dizia
    " Nada é para sempre" cada um deve saber tirar o melhor que possa agregar , mesmo que seja da dor. Bora passar para a proxima fase de cabeça erguida

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  3. Sabe o que mais admiro nas pessoas que têm o dom de expressar sentimentos, de transcrever situações cotidianas, Rayssa???
    É que elas - poetas, escritores, compositores -, assim como você, são generosas a ponto de nos permitir apossarmos de suas obras.
    Quando ouço o 14 Bis cantando Todo Azul do Mar, é como se o compositor tivesse escrito o meu pensamento em relação a quem amo.
    Quando leio o soneto da Fidelidade, é como Vinicius de Moraes estivesse lendo a minha mente.
    Quando leio os seus textos, fico me perguntando: como ela sabe tanto assim do nosso cotidiano?
    Respiro fundo e chego à conclusão que mais feliz que os poetas, os escritores e os compositores são os que têm a oportunidade de ler textos primorosos como esses que você escreve. O que seria de nós, pobres mortais, não fossem aqueles que não precisam sequer do "branquinho", muito menos da borracha, pois sabem exatamente o que têm que ser dito??? Obrigado por voltar.

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