Um conto para todo mundo

Que não tem idade pra ser fã dos contos da Disney, todo mundo sabe.
Que tem muito crescido por aí sonhando em encontrar o próprio conto, também não é difícil adivinhar.
Que o mundo adora repreendê-los por isso, qualquer um pode imaginar.

Mas porquê?
Porque é tão difícil acreditar que todo mundo tem direito a encontrar seu próprio conto, seu príncipe. seu milagre, sua magia?
Talvez seja muito mais fácil ficar listando os vilões e as maldições pra encobrir a covardia de acreditar. Acredite, ser feliz é pra quem tem coragem.

Não sou da turma dos que caçam no mundo a sua metade da laranja, pois acredito que alguém que não se sente inteiro sozinho, não pode nunca ser a metade de ninguém, ou preencher o que falta de si, com a metade de outro.
Eu defendo a busca de pessoas inteiras, por pessoas inteiras, que serão capazes de, juntos, ir além das expectativas, e viver as felicidades únicas que vierem no caminho.

Os novos contos de fadas estão aqui fora, no mundo real. São as histórias mundanas que inspiram a magia e os encantos.
Os vilões nem são mais personagens feios e apavorantes. É apenas o mau-chefe ou a amiga invejosa. As maldições desenham as inúmeras adversidades que enfrentamos por aqui.
E mesmo assim o felizes-para-sempre sempre chega.
Mimimi-mas ninguém conta como é depois do felizes-para-sempre-mimimi.
TATATA! 

Os livros também não podem contar todas as histórias por inteiro né?
O que ia sobrar pra gente?!
O conto de fadas serve pra plantar a sementinha da esperança, fazer florescer a magia que nasce com cada um. Regar a fonte do pó de pirlimpimpim.
Daí a gente cresce, fica tão entretido com as chatices do mundo cético (e sem graça) que esquece. Perde a capacidade de enxergar que você pode estar vivendo seu conto de fadas nesse momento. E no momento seguinte, pode lhe escapar pelas mãos.

O fato de não ser perfeito, não significa que não seja real. Na verdade, é isso que diferencia o conto, da vida. O sonhar o sonho, do viver o sonho.

Tem amor que arrisca tudo, larga tudo pra trás pra viver em uma constante queda, sem nunca querer saber onde vai dar. Tem amor que começou torto, precisa de um tranco e um barranco as vezes, mas onde a cola é permanente. Tem amor que é ciumento, descontrolado, suspeita da própria sombra, e você ainda se derrete com essas crises dele. Tem amor que supera longas distâncias, sobrevive por FaceTime e se reforça em cada saudade. Tem amor que é nerd e se declara via star wars. Tem amor praieiro que conta todos os cinco dias até o final de semana, pra descer ou subir a serra. Tem amor caseiro, que vai ficando, aconchegando, preguiçando... "e ai vamos sair"-"ahhhh....". Tem amor baladeiro, que vai pra balada junto ou separado, de quarta ou de domingo, aqui ou no litoral, e a vida é uma festa. Tem amor chiclete, que gruda, aperta, estica, esmaga, beija, amassa, respira, e repete tudo de novo. Tem amor mochileiro, que vai pelo mundo, explora, se aventura, e ta sempre comprando um novo cofrinho pra próxima viagem. Tem amor palhaço, que te faz rir de tudo e até de si mesmo. Tem amor ogro, meio bruto, meio desajeitado, mas que arranja um jeito de dizer "te amo". Tem amor que não fala, não gruda, não tem ciúmes, viaja sozinho, se aventura sozinho, mas que sabe transparecer no olhar "eu vou, mas sempre vou voltar pra você, aonde quer que eu vá, sei pra onde voltar no final.".
Tem mais uns 987 milhões por aí.

Para cada um deles, um conto.
E não depende dos olhos de quem lê. Depende dos corações de quem sente.
Todo tipo de amor vai falhar, vai pedir perdão e vai recomeçar.
Cada um deles vai enfrentar os próprios vilões e maldições. Assim como vão encontrar as fadas-madrinhas e ver a magia acontecer.
Enquanto estiver saudável, dará um lindo conto.

Mas como eu disse, é preciso ter coragem.
As vezes é mais fácil dizer que não acredita e viver como figurante.
Eu continuo admiradora dos protagonistas de histórias de amor incríveis.
Eu acredito na magia.
Eu acredito em fadas.

E você?


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