Desapega e vai

A gente tem mania de medo.
Ou melhor, tem mania de interpretar o medo de forma errada. Com medo, claro, de não respeitar o medo, e acabar estalacrado no chão, como previa seu medo.
A variável dificultante nesse caso, é que temos o costume de generalizar que todo medo é do tipo alerta-pera-fica-em-casa!!!. 
Menos mimimi, por favor.

Os piores medos não são os que realmente devem ser temidos, que nos colocam (ou colocam aqueles que amamos) em situação de risco real. Esses a gente teme mesmo, e entrega pro cara lá de cima nos ajudar. É quase natural da vida.
Esse sentimento fica perigoso mesmo, quando aparenta muito mais do que é, vem latindo sem pretensão nenhuma de morder, mas aterroriza. Esse aí trancafia um monte de gente talentosa, trava outro bocado de gente interessante, e priva o resto de gente que tá louca pra desbravar o mundo.

Medo de quê mesmo?
De não ser perdoado? De ser demitido? De ser reprovado? De faltar dinheiro? De faltar conforto? De passar perrengue? De se perder no caminho? De não saber andar sozinho?
Eu poderia continuar listando uma porrada de medo sem sentido por mais meia hora, tá sabendo né?

O significado do ditado "Se der medo, vai com medo mesmo." é que você precisa enfrentar o novo, mesmo que exista o risco de dar errado, porque o "dar errado" também é super necessário na vida. Todo mundo, sem exceção, uns mais outros menos, mas todo mundo precisa de experiências de "deu merda!". Todo mundo precisa errar, pra aprender, pra tentar de novo, talvez errar mais algumas vezes, pra enfim acertar.
Só que na maioria das vezes, a gente ignora a importância do erro. E o medo de errar e das consequências disso, impede que demos passos mais largos, mais ousados, mais apaixonados.
E deixar de arriscar por esse medo frouxo, coleguinha, vai te colocar na arquibancada da vida pra você apenas assisti-la passar, sem viver nem um tiquinho dela.

O risco está a nossa volta, o tempo inteiro. É preciso bater de frente, apostar mais alto, blefar, dar a primeira tacada. 
Enquanto evitamos arriscar tanta coisa (ou quase tudo), deixamos de descobrir que tanta coisa é completamente dispensável em nossas vidas, ou de discernir o que realmente é indispensável dela.

Eu sei que tem hora que "não é bem assim", que "o buraco é mais embaixo" e "nem tudo se resolve como nos filmes da Disney" (Ai, quem dera, né?).
Mas quero dizer que, na minha humilde opinião de aspirante a escritora que quer falar da vida assim despretensiosamente, a maioria dos nossos medos é bem assim SIM, CARO MESTRE. O país tá quase em crise, a gasolina tá cara, acabou a faculdade e-agora-josé, no capitalismo pra ter planos tem que ter dinheiro, pra que encarar um novo relacionamento se o último deu bosta, ficar longe da família logo agora que tava todo mundo grudado, e claro mais alguns medinhos que não cabe aqui ficar expondo.

Mas e aí? Vamos chorar o leite derramado, grudar na estabilidade do emprego, morder o lábio para a tentação de viajar e se fechar no quarto pra esquecer?
Não mais, valeu.
E isso eu ouvi de uma amiga-pra-vida-toda: "Tudo ainda pode dar muito errado. E ainda assim, vai ser sensacional!". É isso, entendeu? Toda experiência é válida, principalmente aquelas que te fazem enfrentar o medo, e encarar o resultado do sim e do não.
Toda escolha implica uma renúncia, sempre. Se você escolher ir, vai sempre deixar algo pra trás (no sentido literal e no figurado também), mas essas escolhas constroem sua história de vida e refletem seu caráter. Então vai mesmo assim, por favor!!!

A graça da vida é  ficar deslumbrado com as coisas maravilhosas (ou não) que acontecerem, conforme você as VIVE. Liga seu radar pra apitar toda vez que você estiver na sua zona de conforto. Estacionar ali por muito tempo não agrega nada a ninguém, nunca. Aprenda que o que você chamava de "medo", é na verdade, a adrenalina. Aquele friozinho na barriga que dá quando a montanha russa ta subindo pro topo. Você sabe que em seguida tem uma queda, que você vai se borrar, mas depois vai sentir aquela descarga de endorfina que te eletriza, e te faz tão bem.
Descubra, que você pode se descobrir novo, e de novo, um zilhão de vezes, cada vez que você encarar esse medinho.

Se joga mesmo.
Na descida da montanha russa.Na queda livre. No escuro que vier.
Porque a verdade é que é uma delícia não ter ideia do que vem pela frente.

Vai, e vai dar tudo certo.
#commedomesmo #tchauzonadeconforto #viveréumadelicia

Going at a mile radius of approximately 12345mph up & down these troubling slopes no matter how unfit you may be. Hot lava & volcano sharks on the bottom, so careful not to slip!


Comentários

  1. Já sou encantada por todos os seus textos, mas esse em especial, tá sensacional! Aliás, vai completamente de encontro ao que conversávamos da última vez sobre enfrentar os medos.
    Obrigada por mais um momento incrível ao ler o que você escreve!

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